REUTILIZAÇÃO DE MATERIAIS E RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO: UMA SOLUÇÃO SUSTENTÁVEL E INOVADORA NA REABILITAÇÃO DE ESPAÇOS E EDIFÍCIOS

Transformando assim as cidades, em lugares onde poderemos concentrar inovação e adoção de novas técnicas de arquitetura e construção sustentável, por intermédio da implementação da reabilitação como processo de excelência na execução destas. Adotando este método como estratégia, estaremos a contribuir para o cumprimento das prioridades urbanas em matéria de habitação/ construção.

Implementando 3 princípios fundamentais

Potenciar a utilidade dos produtos, componentes e materiais. Manter os materiais e produtos a circular na economia pelo maior período de tempo e até o limite da sua capacidade, gerando mais valor para todas as partes, gerando oportunidade de termos acesso àquilo de que precisamos, seja espaço físico, entre outros componentes, de novas formas. Podem assim as cidades dar o seu contributo e colaborar com a economia circular através da reabilitação de edifícios e espaços, adotando uma arquitetura bem mais sustentável, a do reaproveitamento e reutilização de materiais, com vantagens para o PLANETA e para todos nós. A Arquitetura poderá contribuir de forma eficaz para este modelo, onde nada se perde e tudo se transforma, prolongando ciclos de vida útil e eliminando desperdícios prejudiciais ao meio ambiente.

+ Estimular a inovação ao longo da cadeia de valor na área da construção. Deste modo, a seguir se apresentam alguns casos de estudo que nos ajudam a descobrir como podemos repensar as cidades como sistemas vibrantes operando de forma mais eficiente, melhorando a forma como os edifícios são construídos, reinterpretando a cidade e muito mais.

A reutilização de materiais de construção e resíduos na reabilitação de novos espaços e edifícios, é um conceito que está na vanguarda da arquitetura sustentável e é incrível ver como pode transformar a forma como abordamos a construção e a arquitetura. Ao reutilizar materiais e resíduos, não só reduzimos o impacto ambiental da construção de novas estruturas, como também criamos espaços únicos, inovadores e diferenciadores. Isto não só preserva a história e o carácter da estrutura original, como também reduz a quantidade de resíduos que vão parar a aterros. É uma situação em que todos ganham, tanto o ambiente como o nosso património arquitetónico.

Estes elementos não só acrescentam um toque de singularidade ao projeto, como também servem para recordar a importância da conservação dos recursos. Esta abordagem desafia os métodos de construção convencionais e incentiva-nos a repensar a forma como construímos as nossas cidades.

APARTAMENTO PARAÍSO / RUÍNA + ELKY SANTOS

Reaproveitamento de materiais e resíduos da construção e sua reintrodução na reabilitação de novos espaços e edifícios. O Apartamento Paraíso é um projeto de renovação de um apartamento de 123 m2 localizado no Edifício Olga Ferreira, no bairro do Paraíso, zona sul de São Paulo. Na região ainda é possível encontrar antigos sobrados, casarões e pequenos edifícios que têm sobrevivido face ao avanço da especulação imobiliária. A variedade de materiais disponíveis no próprio local da obra deveria retornar na sua função original ou incorporados a uma nova utilidade.

Foi possível produzir em estaleiro todo tipo de agregado graúdo e miúdo, através da utilização de um triturador de pequeno/médio porte, para reaplicação em contrapisos, argamassas de chapisco, reboco e acabamentos, bancadas e pisos de betão, além de revestimentos com azulejos. Durante o processo de desenvolvimento da execução do projeto, as arquitetas, conseguiram desenvolver um material próprio para execução de pisos e bancadas economicamente acessíveis – o «entulhite» -, feito com entulho de obra e com estética semelhante ao convencional granilite. Os azulejos antigos que revestiam os banheiros, danificados devido à ação do tempo e à sua retirada, serviram como piso e revestimento de parede para as áreas avarandadas em forma de «caquinho» – mesma técnica dos conhecidos pisos de caquinhos da Fábrica de Cerâmica São Caetano, muito comuns nas décadas de 1950 e 1960 em São Paulo. A possibilidade de prototipar diversas amostras com os materiais durante a obra foi fundamental para a definição de soluções técnicas e estéticas mais adequadas.

A aproximação com a demolição evidencia o quanto esse processo tão fundamental e ao mesmo tempo tão negligenciado pelo campo da arquitetura necessita de reflexão, a fim de buscarmos modos de produzir que gerem maior autonomia e autossuficiência.

LOJA CAROL ARBEX / RUÍNA

O projeto de renovação do espaço expositivo e loja Carol Arbex foi desenvolvido a partir da premissa de traduzir a identidade da marca numa experiência espacial. Elementos e materialidades foram selecionados para sugerir um percurso subtil e possibilitar uma narrativa pessoal e subjetiva – construída pelo encontro do usuário com o espaço. A diversidade de usos exigiu que fossem pensados elementos como dispositivos que possibilitam a expansão e contração do espaço.  Uma bancada móvel que se encaixa ao mobiliário em marcenaria, «araras» que sobem e descem conforme a necessidade, de tal forma que vários cenários se materializam num mesmo ambiente.

As «araras» deveriam trazer subtileza e dinâmica ao espaço, e para tanto, as peças em aço escovado foram curvadas, configurando elementos de maior organicidade e dando movimento às peças de roupa exibidas. Os blocos maiores de arenito amarelo foram perfurados com profundidade suficiente para que os apoios verticais das «araras» fossem encaixados e fixados – de tal maneira que o peso do bloco funciona como embasamento e ancoragem. Blocos menores foram esculpidos, lixados e perfurados, servindo como puxadores das «araras» móveis – cujo sistema funciona com roldanas fixas e contrapeso.

Repensamos e imaginamos as cidades como sistemas vibrantes operando de forma mais eficiente, otimizando a forma como os edifícios são construídos, reinterpretando a sua arquitetura, os seus modos de construir, e muito mais.

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *